[Resenhas de Clássicos] Frankenstein – Mary Shelley

Olá queridos hunters! Hoje tem especial de Halloween aqui no Caçadores, e aproveitei para ler esse intrigante clássico do terror.

frankenstein

Editora Nova Fronteira

Sinopse: Mary Shelley (1797-1851), mulher do poeta inglês Percy B. Shelley, escreveu Frankenstein para participar de um concurso de histórias de terror realizado na intimidade do castelo de Lord Byron. Mesmo competindo com grandes gênios da literatura universal, acabou redigindo esta que é uma das mais impressionantes histórias de horror de todos os tempos. A história de Victor Frankenstein e da monstruosa criatura por ele concebida vem fascinando gerações desde que foi publicada há mais de cem anos. Brilhante história de horror, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein representa um dos mais estranhos florescimentos da imaginação romântica.

O livro começa com cartas que Robert Walton escreve para sua irmã Margaret. Ele, tendo chegado aos 28 anos, sente a necessidade de viajar e descobrir o mundo, e se lança em uma exploração a navio ao Polo Norte. Pelas más condições da região, a embarcação fica presa no gelo, momento em que resgatam um homem, que logo descobrem se chamar Victor Frankenstein.

Debilitado, misterioso e ansioso para descobrir se a tripulação viu um “demônio” nas redondezas, Frankenstein decide revelar o motivo de sua aflição a Walton, e é ele o responsável por nos contar a narrativa fantástica do monstro que levou o seu nome para a posteridade.

“O despertar de fantasmas e demônios era algo asseverado pelos meus autores favoritos e eu desejava ansiosamente concretizá-los.”

A história de Mary Shelley não é o que eu esperava. Depois de ter passado anos ouvindo falar de Frankenstein e assistindo a cenas que faziam alusão à obra (inclusive cenas do filme de 1931, que eu acreditava ser igual à obra original), acabei descobrindo somente na leitura que as histórias retratadas são beeeeem diferentes. O monstro que conhecemos na cultura pop de hoje não é a criatura de Shelley, que aliás no livro nem tinha nome e é infinitamente mais interessante.

frankenstein

A escrita detalhada nos conta o passado e presente de quase todos os personagens, e vai com calma, devagar. Não chega a ser estilo Stephen King nossa, esse gosta de demorar e detalhar absolutamente tudo, kkkkkkkk, mas Shelley toma sim seu tempo com as palavras para explicar bem todo o contexto, e o faz muito bem. O recurso da escrita de contar o que houve através das cartas de Walton para a irmã e pela narração de Victor é algo a mais: diferente, e dá uma sensação de veracidade.

A narrativa da autora vai criando a base e também uma ansiedade para o momento em que nasce o monstro. Depois a gente vai descobrindo que ele não é tão “monstro” assim. Ele tem consciência, inteligência e aquela capacidade humana de perguntar “por que?”. E é aí que vem a genialidade da obra.

“Quando olhava ao redor, não via seres como eu, tampouco ouvia falar a respeito. Seria eu, então, um monstro, uma nódoa sobre a face da Terra, da qual todos os homens fugiam e que todos os homens repudiavam?”

São páginas e páginas de questões filosóficas profundas. Envolve criador e criatura e as responsabilidades ao criar vida, questões morais e até religiosas. Um romance inteligente que nos leva a pensar. É pesado: tem tristeza, amargura, culpa, vingança, luto. É difícil acreditar que a autora mal tinha chegado aos 20 anos quando escreveu esse livro, sendo ele tão complexo e inteligente. Não apenas por ser bem escrito, mas pelo teor dos assuntos tratados.

“Os diversos incidentes da vida não são tão instáveis quanto os sentimentos humanos.”

Há sim momentos de terror, mesmo que poucos para o leitor. A cena em que a criatura ganha vida me trouxe várias lembranças de cenas de filmes e seriados com certeza inspirados por Frankenstein: Van Helsing, American Horror Story, Da Magia à Sedução, entre outros. A ideia macabra de um ser dado como morto ganhar vida e perder o controle pode ser encontrada nos pesadelos mais sinceros do homem.

“(…) minha imaginação estava tomada de cenas de maldade e desespero. Pensei no ser que lançara entre os homens e que dotara do poder e da determinação de levar a cabo propósitos nefandos, como aquele que acabara de perpetrar, como se fosse meu próprio fantasma, meu espírito libertado de sua cova e forçado a destruir tudo o que me era querido.”

O terror de Frankenstein é na verdade, muito mais próximo da condição humana do que eu imaginava. Não é o de uma aberração assassina à solta, mas o da criatura perdida e angustiada que não sabe o porquê de estar no mundo, não escolheu estar nele e é renegada por ser o que é. É o terror dos momentos de desespero que antecedem um assassinato, que fazem pensar em suicídio, de não se encaixar. E de todos os pensamentos negativos que podem ocorrer na mente em uma noite de tempestade.

5-estrela

Boa leitura e um ótimo Halloween, hunters! 😉

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2 comentários sobre “[Resenhas de Clássicos] Frankenstein – Mary Shelley

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